Drones, por que regulamentar?

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O uso de veículos aéreos não tripulados não é somente uma tecnologia nova e interessante, é uma cadeia completa de valor que não existia no passado pois a tecnologia disponível não permitia. Atualmente o valor agregado dos VANTs vem crescendo e não é uma tendência de curto prazo, é um braço da robótica que criou pernas e vive a parte.

Existem empresas se especializando em cada etapa do processo. Assim como nos automóveis, componentes, montagem, prestação de serviços, educação, nichos de mercado são cada vez mais explorados e por empresas com foco cada vez mais direcionado. Como todo que é produzido por nós, sempre há o uso correto e o nocivo.

A principal razão para o crescimento dos VANTs no mundo é o custo/benefício de sua utilização profissional, além de uma diversão bem interessante. É muito mais fácil observar determinados eventos em uma área do alto, que procurar do chão, portanto um robô aéreo é muito mais eficaz que um grupo de pessoas em terra e, além disso, em tarefas de imageamento, são mais seguros, reduzem o tempo de operação e geram informação relevantes sobretudo na indústria e no agronegócio. Havendo todas essas vantagens é de se esperar que o setor continue crescendo, gerando empregos e renda para os países que o utilizam da forma correta, o que inclui a regulamentação do setor, beneficiando as empresas que utilizam drones de forma responsável.

Em junho de 2016 a revista Business Insider publicou um artigo dizendo que em 2024 o mercado de drones mundial (civil e militar) valeria cerca de USD 13 bilhões*. Dito isto, mesmo que seja uma previsão otimista, mesmo considerando que tudo pode dar errado, um país que não incentiva nem regulamenta este tipo de mercado, se posiciona como comprador de uma tecnologia de alto valor agregado, e cria uma reserva de valor para empresas estrangeiras, deixando os brasileiros com um diferencial negativo nesta batalha.

  • http://www.businessinsider.com/uav-or-commercial-drone-market-forecast-2015-2

Com a capacidade produtiva atual, tecnologia que dispomos nas universidades brasileiras de ponta e com verbas direcionadas, poderíamos ter um setor de drones próprio, com tecnologia nacional e gerando milhares de empregos. Mas vamos ser pessimistas, vamos considerar que o Brasil não possa produzir drones (o que já não é verdade hoje). Somente no mercado de prestação de serviços, para cada equipamento no uso profissional, precisamos do operador (as vezes mais de um), do comprador, do vendedor, algumas vezes de uma equipe de acompanhamento, de contador, secretária, técnico em manutenção, a empresa de importação, o cliente que precisa de computador para ver o resultado das imagens, de equipes eventuais para estudo das imagens, e muito mais, tudo isso SOMENTE para o mercado de serviços. Quantos empregos diretos e indiretos estamos deixando de criar pela falta de regulamentação?

No final de 2016 o DECEA regulou muito propriamente o espaço aéreo brasileiro para o uso de VANTs, criando um sistema de grande funcionalidade e conversando com o setor, o resultado foi um trabalho reconhecido e que pode se tornar referência mundial. Agora esperamos o mesmo da ANAC.

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